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Na moda da sustentabilidade

As organizações encaram a sustentabilidade social e ambiental para sobreviverem aos anseios éticos de seus clientes e à própria exigência do concorrido mercado brasileiro

Por Luana Nunes
Jornalista

É possível notar que nos dias atuais as empresas estão cada vez mais conscientes de suas atitudes para uma melhor relação entre o homem e o meio ambiente. Isso porque os consumidores estão mais exigentes e buscam sempre diferenciar um produto do outro, bem como, a qualidade dos seus serviços.

Para a assistente social e vice-presidente de relacionamento com consultoria da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), Andréa Carnaúba, as organizações que têm uma imagem positiva perante a sociedade, podem ter certeza que possuem um trabalho respeitado nas áreas social, ambiental e também financeira. "Essas empresas têm um valor intangível muito maior que qualquer outra organização que não tenha isso fundamentado dentro das suas atuações", afirmou a especialista no XII Congresso Nordestino de Recursos Humanos, o CONORH, em Maceió (AL),

Racionalidade social, sustentabilidade empresarial e ética na gestão de pessoas, são fatores importantes nas organizações públicas e privadas. Mas qual o panorama da racionalidade que vivemos hoje? É a própria força exigida pelo mercado através de suas empresas que buscam trabalhar a questão da ética e cidadania, uma vez que, o foco passa a ser a própria comunidade e não só a sociedade.

Ou seja, organizações se tornando grandes investidores sociais - sendo empresas socialmente responsáveis - e não só a espera do Estado. Essa responsabilidade social conduz ao que chamamos de sustentabilidade. O pensamento mais avançado nesse aspecto mostra que as empresas realmente podem ser mais eficientes usando menos matéria-prima, menos energia, menos corrupção. E muito mais sabedoria, muito mais ética e mais conhecimento ao valor final da marca e de seus produtos.

A gestão empresarial de sustentabilidade é centrada no alcance simultâneo de três pilares: os resultados financeiros, porque toda e qualquer organização precisa desses efeitos para continuar se sustentando; os resultados ambientais, pois não só com a consciência própria, mas também, o consumidor atual está muito ligado à questão ambiental; e os resultados sociais, porque ninguém está sozinho.

As empresas devem acreditar mais em seus parceiros, colaboradores, acionistas e comunidade para crescerem juntos e alcançarem os resultados desejados. De acordo com Carnaúba, sustentabilidade passa a ser sinônimo de sobrevivência para a sociedade e para as empresas, especialmente na busca de resultados. "Está chegando o tempo das empresas analisarem entre ser sustentável ou ficar fora do mercado" frisa.

Pode parecer modismo, mas esse assunto está no mercado há dez anos, a diferença é que só agora, devido às diversidades climáticas do mundo e ao desmatamento, ele veio à tona. Ser sustentável não é apenas evitar o desperdício de energia elétrica, água ou fazer uma coleta seletiva dentro da sua empresa. É, além disso, ter uma atitude ética e de respeito dentro da sociedade e uma melhor relação profissional com clientes, fornecedores e colaboradores. Do mesmo modo que, não basta usar papel reciclado ou canecas de porcelana para economizar os copos plásticos para ser um profissional sustentável. É necessário permanecer com uma postura de respeito diante a sociedade, a comunidade e, principalmente, ao meio ambiente.

Ser ético e transparente

Existe uma empresa sustentável sem ser ética? Para a assistente social Andréa Carnaúba em sua palestra sobre "Ética e gestão de pessoas", não existe. "Ela até pode ficar por um tempo no mercado, mas termina deixando de existir, porque só consegue se sustentar, no mundo de guerra que nós vivemos hoje, se ela tiver ética" afirma.

O conceito de ética é um só. Não existe variação para que as pessoas demorem minutos pensando se é ético ou não. O diferencial está entre escolher fazer certo ou errado. Ou você é ético no seu trabalho ou você não é. Dentro de uma organização, o empresário deve analisar que tipo de relação ele está tendo com os seus steakholders (fornecedores). A transparência nos negócios entre as partes é de fundamental importância para uma ligação duradoura e ética. Ser ético significa cumprir com as obrigações tributárias e legislações, dizer não à corrupção, e, além de tudo, aliar os interesses da empresa com os da sociedade.

Marconi Muzzio, Especialista em Gestão da Capacidade Humana, foi além do que manda a legislação brasileira. Como coordenador geral da Escola de Contas Públicas Professor Barreto Guimarães do Tribunal de Contas de Pernambuco, ele leva para a sociedade pernambucana, através da sua palestra 'TCEndo Cidadania', a explanação do trabalho exercido no Tribunal. "Se eu seguisse apenas a legislação eu só poderia trabalhar dentro da escola de contas com o público do Tribunal que são os nossos funcionários, eu não poderia envolver a sociedade, mas a gente foi longe e hoje temos a sociedade envolvida através de visitas que fazemos em cidades do interior de Pernambuco", orgulha-se Muzzio.

O ideal seria se todas as empresas de pequeno, médio ou grande porte, criassem um comitê ético. Funciona da seguinte forma: Cada departamento tem um representante que participa de um comitê. Esse representante torna-se o agente multiplicador para os demais funcionários da sua área e, em seguida, as pessoas da companhia discutem as questões éticas que estão na mira do mercado. Isso é uma simples ação que não significa custo extra para a empresa.

O dever da ética no departamento de Recursos Humanos de cada empresa também está totalmente ligado em dizer a verdade. Por pior que seja a reação do candidato que está participando da seleção, ele tem o direito de saber em que e onde falhou. Esse feedback entre o recrutador e o avaliado, após a seleção deve ser transparente. Afinal, é ético manter a relação de credibilidade. No ato do recrutamento o psicólogo ou o profissional de RH deve deixar claro quais são os critérios daquela avaliação. Para que depois, o candidato não aprovado, não se frustre com o silêncio da empresa e se sinta perseguido ou preterido por motivos errados.




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